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Observatório vai mapear rios do Amazonas:

Observatório vai mapear rios do Amazonas para subsidiar navegação

LOGÍSTICA & TRANSPORTE
21 de Março de 2016


Os rios são as "ruas" que levam pessoas e mercadorias do Alto Solimões à Foz do Amazonas. Essas "estradas", muitas vezes, dependem do nível das chuvas e do acúmulo de detritos para que possam ser utilizadas por barqueiros, armadores e balsas. Com foco na solução do problema, o projeto Observatório do Transporte Aquaviário vai mapear informações da realidade dos rios para subsidiar a criação de rotas mais seguras e rentáveis para o transporte na região.

Até pouco tempo atrás, essas informações eram muito dispersas e atrasadas, o que gerava acidentes e riscos na condução desses veículos pelos rios. O Observatório do Transporte Aquaviárioé um projeto feito em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e o Instituto de Pesquisa em Transporte Aquaviário (Intra).

De acordo com o coordenador, José Teixeira, o principal objetivo do projeto é fazer um mapeamento de informações dos rios, das balsas e da cobrança de preço pelas empresas que atravessam produtos pelo rio. 

Como?

O Observatório do Transporte Aquaviário vai oferecer quatro principais dados publicamente. O primeiro é referente aos acidentes. Quantos acidentes aconteceram nos últimos anos? Aonde eles aconteceram e por quê? Todas essas informações são organizadas e é possível criar uma lista de trechos onde o rio é perigoso em determinada época do ano.

O segundo dado se refere ao fluxo de mercadorias e características do sistema. Com ele é possível identificar os trechos mais usados e o que é possível fazer para criar alternativas no caso de seca ou de bancos de areia nesses caminhos. Além disso, é possível também saber que empresas fazem o transporte de cargas na região e onde seria mais em conta.

O terceiro dado é o de roubo de embarcações. Todos os dados sobre roubo de mercadorias nos barcos e balsas que atravessam o rio seria disponibilizados para as polícias e a marinha. Com isso, seria possível monitorar os lugares onde mais acontecem esses crimes, criar estratégias de segurança junto aos órgãos de segurança e fazer com que empresas evitem rotas pouco seguras.

O quarto e último dado é referente a publicações científicas. Essas publicações oferecem respostas práticas para melhoria do transporte dos rios e podem ser utilizadas por empresas e órgãos públicos interessados em gerar novas ideias e processos mais eficientes.

O futuro

Para José, o futuro seria todos esses dados analisados e atualizados em tempo real. Dessa maneira se acontecesse um acidente grave com toras num rio da região, seria possível avisar todos os barcos, criar novas rotas e utilizar trechos livres e impedir atrasos na entrega de mercadorias.

"Informações atualizadas e em tempo real. Esse é o futuro que nós esperamos para o Observatório", diz José. Para ele, isso iria mudar toda a forma de como utilizamos os rios tanto para cargas quanto para passageiros transformando em soluções cada vez mais viáveis e comuns no dia-a-dia das pessoas que vivem na região.

 

Fonte: Isaac Guerreiro, Portal Amazônia.