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NOVO CÓDIGO FLORESTAL:

Por Daniela Ades, analista de comunicação do IDS

A produção é uma parceria do Instituto Socioambiental - ISA, Instituto Democracia e Sustentabilidade, WWF, Fundação SOS Mata Atlântica e da Bem-Te-Vi Diversidade

 

 

 

 

As 700 horas de programação da Virada Sustentável terminaram da melhor forma possível. Nem mesmo a tão esperada chuva impediu que o Auditório do Ibirapuera ficasse cheio, no fim da tarde de domingo, para a pré-estreia do filme “A Lei da Água -  O novo Código Florestal”. (Assista ao trailer)

Dirigido por André D’Elia, da Cinedelia, e com produção executiva de Fernando Meirelles, da O2 Filmes, o documentário apresenta as mudanças provocadas pelo Novo Código Florestal, aprovado em 2012, e o impacto da legislação na preservação do meio ambiente e na produtividade da agricultura.

O longa-metragem de 75 minutos baseia-se em 37 entrevistas com políticos, produtores agrícolas, ruralistas, cientistas, biólogos e ambientalistas, realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará, Mato Grosso, Paraná e Brasília. Os depoimentos discutem, por diversos pontos de vista e de maneira clara e didática, o impacto das alterações da legislação ambiental na capacidade de recuperação do meio ambiente, na produção de água de qualidade, e mostra os impactos que as ações predatórias podem causar, como a extinção de espécies, perda da biodiversidade e catástrofes ambientais. A crise hídrica da cidade de São Paulo tornou-se um dos temas centrais, devido à má preservação ambiental no entorno do sistema Cantareira e da má gestão. O filme traz também experiências bem sucedidas de conciliação entre produção e preservação, mostrando que não há divergências entre as duas ações.

Fernando Meirelles, produtor-executivo do documentário, conta que a ideia inicial era fazer um filme pequeno para esclarecer os ministros do Supremo Tribunal Federal sobre as quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) apresentadas contra a lei 12.651, que revogou o antigo Código Florestal de 1965. O curta, porém, acabou crescendo. Ele, que já havia participado de campanhas como “Floresta faz a Diferença”, quis logo se envolver, e convidou André D’Elia para dirigir o filme.

Para Ricardo Young (PPS), vereador de São Paulo e conselheiro do IDS, o documentário é inédito ao conseguir trazer visões plurais de todos os atores envolvidos – ruralistas, ambientalistas, cientistas, sociedade, etc-, que antes estavam fragmentadas na discussão, e faz o encadeamento para que se perceba a importância estratégica do Código Florestal e da Política Florestal do país. “O Código Florestal é complexo, principalmente para as pessoas que não estão familiarizadas com os temas ambientais: a questão dos manguezais, das reservas legais, das APPs, a questão d’água, da produção da água, a relação da água com florestas (...), e durante todo o período de discussão do CF, ela foi fragmentada. Era muito difícil ver o todo. E esse é o grande mérito deste filme”, opinou Ricardo Young. “É um marco extraordinário.”

Malu Ribeiro, representante da S.O.S Mata Atlântica, e Marussia Whately, representante do Instituto Socioambiental (ISA), participaram do debate junto com o diretor Andre D’Elia após a exibição. Malu falou da importância do filme para que as pessoas compreendam o impacto real desta legislação em seu cotidiano e da necessidade de se prestar atenção na maneira como a lei é feita. “Fazer lei não é que nem fazer pão de queijo”, brincou.

Marussia lembrou que a lei foi aprovada há dois anos, mas poucos dispositivos previstos pelo Código foram regulamentados ou amplamente implementados, como o Cadastro Ambiental Rural. Grande parte da regulamentação se dará por planos estaduais e municipais, portanto é importante que a sociedade faça o acompanhamento do Código Florestal, recomendou a representante do ISA. (Você pode acessar o site: http://www.observatorioflorestal.org.br/)

Com este filme, Andre D’Elia disse que pretendia abrir o diálogo com todos os setores, pois mesmo sendo um tema polêmico, não acredita que deve existir briga. A preservação pode, e deve, ocorrer independente da legislação.

Para Ricardo Young, o documentário é pacificador. “Ele mostra que ninguém tem razão. A razão está na relação correta de todo esse conhecimento no exercício de aperfeiçoamento dessa lei, que é ruim e precisa melhorar”, afirmou.

Tanto para a plateia como para os realizadores, permaneceu o desejo de transmitir e compartilhar a mensagem. “Acho que se o filme conseguir achar o público que se interessa pelo tema, vai ter valido a pena”, finalizou Fernando Meirelles.