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Mercado Internacional de Créditos Florestais:

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Desenvolvedor de projetos analisa o mercado internacional de créditos florestais

11/06/2014   -   Autor: Gloria Gonzalez   -   Fonte: Forest Carbon Portal

 

 

Projetos de carbono florestal vendidos para compradores voluntários foram desafiados em 2013 por uma forte enxurrada de compensações mais baratas no mercado. Chandler Van Voorhis, sócio-diretor da desenvolvedora de projetos GreenTrees, acredita que essa é uma tendência de curto prazo, mas desenvolvedores de projetos de carbono florestal ainda precisam fazer um trabalho melhor para vender os atributos de seus projetos

A desenvolvedora de projetos GreenTrees tem andado na linha: fez parceria com a empresa ferroviária Norfolk Southern – por meio de seu projeto de reflorestamento e sequestro de carbono – para plantar seis milhões de árvores no delta do Mississipi em cinco anos, gerando mais de um milhão de toneladas de créditos de carbono para ajudar a compensar as emissões das ferrovias e restaurar o habitat ao longo das linhas férreas.

Mas a GreenTrees sabe que esses tipos de projetos de reflorestamento têm uma série de benefícios que vão além do carbono e também sabe que tem sido difícil obter dados que ajudam a estabelecer a conexão entre água e carbono em projetos de créditos florestais e calcular o valor adicional que esses co-benefícios trazem.

Ressaltar os benefícios adicionais dos projetos de reflorestamento é essencial,tendo em conta a acirrada competição no mercado voluntário de compensações de carbono em 2013, já que os compradores escolheram compensações mais baratas de outros tipos de projetos. Mas há compradores, tais como a Norfolk Southern, que estão mais interessados em projetos de compensação que podem fazer mais do que reduzir carbono.

Antes do lançamento do relatório completo Estado dos Mercados Voluntários de Carbono 2014 do Ecosystem Marketplace, Chandler Van Voorhis, sócio-diretor da desenvolvedora de projetos GreenTrees, contou à Gloria Gonzalez sobre o trabalho que os desenvolvedores de atividades envolvendo o carbono florestal estão e deveriam estar fazendo para promover outros atributos de seus projetos e por que eles não deveriam tentar competir em preço com o metano de aterros e outros tipos de compensações de carbono.

Gloria Gonzalez: O que você viu nos mercados voluntários de carbono em 2013?

Chandler Van Voorhis: Acredito que o mercado mostrou muita vida e foi muito robusto durante os primeiros oito meses do ano. No quarto trimestre, ficou muito parado e tem estado parado. Não estou certo a que atribuir isso.

A única coisa que especulamos é que houve uma enxurrada de créditos de metano de aterros que surgiram no mercado. Acredito que isso,em geral, pressionou muito os preços para baixo.

Há os que estão tentando cumprir com a CSR (responsabilidade social corporativa) e não se importam como são os créditos. E há aqueles que só compram os créditos. Agora, até que todo esse tipo de crédito de metano saia do sistema, acredito que essa é a primeira coisa que podemos apontar (como causa da desaceleração do mercado).

GG: Que tipo de impacto aentrada de outros tipos de compensações teve sobre o preço dos créditos florestais?

CV: Os números (do Ecosystem Marketplace) confirmarão isso, mas minha intuição me diz que o preço médio caiu um pouco no ano passado por causa dessa entrada. Não eram pessoas tentando obter créditos por US$ 8 ou US$ 9 por tonelada. Elas estavam tentando obter cerca de US$ 7/tCO2e ou US$ 8/tCO2e para os créditos florestais. Os de metano de aterros são muito mais baratos do que isso.

Os créditos florestais, por causa dos custos associados, nunca poderão competir nesse nível, nem deveriam. Para os que querem esse tipo de créditos, nós do setor florestal deveríamos dizer ‘obtenham-nos´. É uma dinâmica diferente, com uma estrutura de preço diferente.

GG: Quão preocupante é essa queda de preço – é um problema de curto prazo ou uma tendência em longo prazo?

 CV: Acredito que é provavelmente de curto prazo. O que significa é que nós na indústria florestal temos que fazer um trabalho melhor na comunicação do porquê de usar nossos créditos e não os de metano de aterros. Embora seja óbvio para nós, precisamos tornar isso mais aparente para o comprador. Acredito que isso é provavelmente a primeira coisa que temos que fazer como indústria.

Precisamos dizer ‘pode-se comprar todas essas toneladas baratas, mas isso é tudo que vocês estão comprando. Com os créditos florestais, está se comprando muito mais’. Os créditos florestais englobam uma série de co-benefícios, da biodiversidade à água a nutrientes e mais. No final das contas, a maior parte de nossa água doce vem de ecossistemas florestais.

Acredito que fazer a quantificação da água e outros atributos criará uma separação melhor e elevará novamente os preços para onde deveriam estar. Os créditos florestais são cheios de co-benefícios que outros tipos de compensações não têm.

GG: Isso é algo que é um tema entre os desenvolvedores de carbono florestal?

CV: Provavelmente em uma conversa por telefone. É uma conversa formal? Não. Deveria ser uma conversa formal? Sim, realmente deveria. Falamos muitos sobre regulamentações e como o cenário está parecendo. Mas não temos sido muito bons em sentar e questionar ‘como nós como uma indústria do mercado de carbono florestal podemos obter uma melhor estrutura de preço?’.

(O relatório do Ecosystem Marketplace) faz uma pergunta todos os anos: qual deveria ser o preço? O preço que estamos vendendo é sempre menor do que acreditamos que deveria ser. Em algum ponto, precisamos ultrapassaressa barreira e ver o preço realmente subir, não descer.

GG: O que você diria que é a primeira motivação dos compradores ou a razão mais citada de se interessar pela compra de créditos de carbono?

CV: Predominantemente, se estiverem vindo para o mercado voluntário, é necessário que tenham um mandato de CSR. Os compradores podem obter créditos mais fáceis de metano (de aterros), mas eles querem algo que possam dizer a seus acionistas que é mais do que apenas um número. Geralmente eles têm relatórios de sustentabilidade muito sólidos. A Norfolk Southern é um exemplo. Muito do nosso reflorestamento visa a áreas diferentes onde eles têm linhas de trem, porque estamos buscando formas de obter pontos extras nas comunidades que elas servem. Eles gostam dos créditos florestais porque estão criando corredores de habitat.

GG: Quais foram as tendências que você viu no último ano em termos do interesse de compradores no carbono florestal e como os créditos florestais se encaixam no que eles estavam tentando fazer?

CV: A tendência é o que vai além do carbono, e a forma de começar a quantificar isso. Estamos tendo cada vez mais trabalho em tentar quantificar os benefícios da água e a relação nas florestas entre o carbono e a água. Isso parece ficar mais forte à medida que os dias passam, o que acredito que seja bom.

É uma proposta de valor que acredito que outros tipos de créditos de compensação não podem fornecer como os créditos florestais podem. Acredito que há compradores para isso.

As companhias de bebidas vêm à mente em primeiro lugar, já que elas realmente estão observando suas pegadas hídricas, assim como as pessoas estão observando sua pegada de carbono. Acredito que se verá nos próximos meses e anos que essa relação entre o carbono e a água através dos créditos florestais só ficará mais forte.

GG: O sistema da Califórnia está em vigor há mais de um ano – qual tem sido o impacto, se há algum, no mercado voluntário?

CV: Acredito que isso ainda precisa ser avaliado. O mercado da Califórnia é ótimo porque realmente atrai compradores e interesse e mantém o carbono em destaque. O problema que a Califórnia tem, do ponto de vista do reflorestamento, é que é quase impossível de levar os créditos de reflorestamento para o esquema.

Acredito que umas das coisas que a Califórnia vai ter que abordar é que os protocolos são direcionados para proprietários institucionais muito ricos. Se não se tem três mil, cinco mil, dez mil acres de terra, não se pode entrar no jogo – seja Reflorestamento, Manejo Florestal Aprimorado ou Conversão Evitada. Simplesmente não é viável financeiramente.

Do ponto de vista do reflorestamento, cada proprietário tem que passar por sua própria verificação. Bem, verificações são caras. A Califórnia não permite agregação de terras e o mercado compulsório não vai longe o suficiente. Acredito que o único mercado para o reflorestamento é o voluntário.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original no Forest Carbon Portal (inglês)